
Manter uma instituição de ensino saudável exige equilíbrio entre aspectos pedagógicos
e financeiros, apenas para citar dois exemplos.
A inadimplência é um tema que desafia constantemente gestores e famílias. Diante da
situação de atraso no pagamento da mensalidade, por exemplo, muitas escolas
recorrem ao judiciário como única via para solucionar este sério problema.
Mas será que a via judicial é a única, e sobretudo a melhor, forma de encaminhar os
assuntos inerentes ao âmbito das escolas?
A conciliação supera de longe o processo judicial. Vamos entender!
A conciliação é um método onde um terceiro imparcial, o conciliador, facilita o diálogo.
Diferente de um processo judicial, em que se estabelece a dicotomia do “nós contra
eles”, a conciliação se apoia na predisposição e na busca do consenso.
Nada é imposto na conciliação, seja participar quanto mais fazer acordo; tudo decorre
da vontade livre e autônoma dos participantes – a chamada autonomia de vontade das
partes.
Esta quebra de paradigma em relação ao ambiente hostil, próprio do processo judicial
litigioso, favorece um ambiente de confiança e compromisso mútuo.
O acordo, nesta perspectiva, é uma consequência lógica e natural – as pessoas “caem”
no acordo.
O acordo acelera enormemente à resolução do caso e preserva relações, entre demais
vantagens, possibilitando assim ganhos mútuos – relação “ganha-ganha”, no lugar do
perde-ganha existente no judiciário. O acordo elimina simplesmente a sucumbência.
Campanhas de Conciliação Escolar
Uma forma de estimular que acordos sejam alcançados é através de campanhas ou
mutirões.
Visando otimizar tempo – algo cada vez mais escasso hoje em dia, além de demais
recursos, uma solução é implementar campanhas e políticas de acordo.
Propostas como “Semana da Conciliação” podem ser muito interessantes, quando bem
estruturadas, para encaminhar acordos em série e assim ajudar na recuperação da
saúde financeira das escolas, ao mesmo tempo que simboliza uma janela de
oportunidade também aos pais ou responsáveis para zerar suas pendências.
A criação de modelos de acordo em conformidade com o perfil de alunos ou da
comunidade escolar é uma ferramenta de grande utilidade para viabilizar que vários
acordos sejam celebrados.
Outro imenso benefício em realizar acordos diz respeito à reputação da escola, que vai
passar uma mensagem de aliada da conciliação e da paz, o que é absolutamente
didático e benéfico para todos.
Benefícios diretos para a saúde financeira
Escolher a conciliação é muito mais do que investir na imagem da instituição. Os demais
benefícios aparecem no caixa:
- Recuperação de ativos: Valores retornam ao fluxo de caixa muito antes do que
em uma ação judicial. - Redução de custos: Drástica redução de recursos financeiros, humanos e de
tempo, como por exemplo despesas judiciais e honorários de advogado, entre
outros. - Previsibilidade: Acordos possibilitam elaborar planilhas mais realistas, diante de
pagamentos parcelados que irão ingressar no caixa das escolas. - Fidelização: O tratamento acolhedor, especialmente em momentos de
turbulência financeira das famílias, cria e fortalece vínculos duradouros com a
escola. Este ambiente de confiança aumenta o tempo de permanência do aluno.
Conclusão: Um investimento em relacionamentos
Campanhas e a criação de políticas de acordo bem estruturadas funcionam como
estratégia inteligente no cuidado com a família do aluno, o que se reflete na construção
de um ambiente saudável em todos os sentidos.
Proteja as finanças de sua instituição e fortaleça o vínculo com quem mais importa: seus
alunos.
Mediação Escolar – Bullying
O bullying e demais conflitos escolares não precisam parar na “justiça”.
A mediação escolar merece enorme atenção no sentido de prevenir e solucionar os mais
diversos tipos de conflito.
A convivência no ambiente escolar, até mesmo entre os “pequeninos”, tem ganhado
contornos de preocupação entre pais e educadores.
Afora a família, a escola é o primeiro ambiente onde a criança irá se socializar.
Esta experiência, para além do desenvolvimento puramente didático/educacional, se
releva de enorme importância para toda a vida da pessoa; é na escola que criamos
nossos primeiros vínculos, por vezes, que podem durar por toda a vida – falo por
experiência própria.
As famílias, cada qual ao seu modo, educam seus filhos, e estes passarão a conviver com
outras crianças que recebem educação e formação de suas respectivas famílias, também
diferentes.
Todas essas diferenças e visões de mundo distintas irão, em algum momento, parar nas
escolas.
É muito rica toda essa diversidade, ao mesmo tempo em que é praticamente inevitável
o surgimento dos conflitos.
Porém, nem todo conflito significa necessariamente um problema, uma disputa, uma
discussão ou uma briga.
O conflito, especialmente à luz da Mediação, é uma oportunidade para construir
caminhos de solução e uma nova realidade.
Vamos abordar o que seja a Mediação, propriamente, e como ela pode contribuir para
o tratamento dos conflitos no ambiente escolar.
A Mediação é um meio pacífico de solução de conflitos, onde um terceiro imparcial, o
mediador, irá auxiliar no estabelecimento de uma comunicação efetiva e respeitosa
entre os atores ou participantes da mediação.
O mediador jamais decide, e nem “empurra” alguém para um acordo; ele promove a
reflexão e estimula o diálogo.
O mediador vai investigar as razões ou motivações adjacentes ao conflito, ou o que teria
levado até ele.
Tudo o que se passa na mediação é confidencial e jamais poderá ser usado como
elemento de prova, especialmente na perspectiva de uma eventual ação judicial, caso
reste frustrada a mediação para efeito de acordo.
A mediação não é tampouco sessão de terapia e nem constelação familiar; ela se apoia
em princípios e valores próprios e tem como fim o estabelecimento de uma
comunicação qualificada.
Nos parece bastante oportuno e conveniente o emprego da mediação no âmbito das
escolas, notadamente visando o melhor encaminhamento de questões tão sensíveis
como é o mencionado caso do bullying, ao lado de outros tipos de conflito