
Manter o fluxo de caixa saudável é um dos maiores desafios para os gestores.
Quando uma receita não é realizada, conforme o previsto, toda uma
programação fica comprometida, expondo o negócio ao risco.
A cobrança, porém, não significa um problema – pelo contrário: é perfeitamente
possível, e bastante recomendável, fazer um trabalho preventivo que irá
organizar as finanças e gerar previsibilidade para a saúde do negócio.
Contratos bem elaborados e sistemas de pagamento são ferramentas necessárias
para colocar ordem na casa.
Com relação aos contratos, especialmente, a fase prévia de negociação é
fundamental para estabelecer o que será propriamente as regras do jogo.
Desde a negociação até a implementação do contrato, ou seja, todo o desenho e
sua execução, em tudo é indispensável que haja uma boa e efetiva comunicação.
O contrato, por essência, representa a manifestação de vontade dos contratantes,
e sua elaboração exige atenção.
Vamos tratar aqui sobre como uma abordagem consensual faz tamanha
diferença, e apontar seus reflexos positivos ao negócio – tanto para prevenir
quanto para solucionar eventuais conflitos já existentes.
Por que a conciliação é sempre o melhor caminho?
O chamado “Poder Judiciário”, apenas para fins de melhor entendimento neste
artigo, é um sistema onde todas as questões jurídicas trafegam.
Utilizamos o termo “tráfego” não por acaso, pois ilustra muito bem que algo
entra – no sistema judiciário, e um dia irá sair.
Diante disso já se verifica um sério problema: quanto tempo leva para sair deste
tráfego, e como irá sair – melhor ou pior do que entrou?
É bem verdade que a “taxa de congestionamento do judiciário” tem apresentado
pioras ao longo do tempo, ou seja, são muito mais processos entrando do que
saindo do sistema.
Não há mais dúvida de que o judiciário é incapaz de atender às demandas que
recebe; sem sinais de melhora deste quadro caótico no futuro próximo.
A conclusão é simples: entrou no sistema, no tráfego judiciário, vai ficar por
bastante tempo – de 3 a 5 anos, no mínimo, podendo facilmente passar dos 10,
15, ou até mesmo 20 anos e além discutindo na “justiça”.
Não vamos adentrar ao mérito, pela análise sobre a qualidade das decisões
judiciais, pois já ficou claro o suficiente acerca da lentidão do sistema judiciário.
Importante destacar que justiça tardia é injustiça.
A partir desta noção devemos dirigir nossa atenção para outros meios de alcançar
justiça, e nesta perspectiva a conciliação extrajudicial – aquela realizada fora do
tráfego judiciário, de fato entrega resultado, sobretudo com segurança jurídica.
Segurança jurídica é o elemento que confere ao acordo ou contrato, conforme o
caso concreto, estar em conformidade com a lei – ou seja, algo que pode ser
exigido. A segurança jurídica, portanto, representa estabilidade e previsibilidade.
Assim, a conciliação encurta o caminho para solucionar uma infinidade de
questões, notadamente o recebimento de valores por cobranças, previne e
elimina discussões infindáveis, preserva relacionamentos, é bem mais econômica
do que um processo judicial, e conserva a segurança jurídica aos negócios.
Exemplos práticos: A conciliação atuando no dia a dia
Em alguns casos, por vezes o cliente quer pagar, mas pode estar diante de alguma
dificuldade temporária ou burocrática.
A forma de abordagem frente a uma situação dessa define o relacionamento com
seus clientes, fornecedores e parceiros. Vejamos alguns exemplos comuns:
- O fornecedor de insumos: O atraso na entrega de uma carga ou
determinado material, por exemplo, pode gerar aplicação de multas,
rescisão contratual e até ação judicial. No lugar disso, mediante o uso da
conciliação é possível a manutenção do contrato, o que certamente é bem
mais interessante, proveitoso e econômico para todos. - Prestação de serviços educacionais: A implementação de políticas de
acordo comunica que a instituição de ensino tem interesse prévio em
negociar – postura colaborativa, no lugar de entrar com ação judicial. Sem
dúvida que o ganho é imenso, não apenas ao fluxo de caixa da escola, com
o ingresso de recursos via parcelamento, mas especialmente pelo
ambiente ameno e relação mais tranquila com a família do aluno.
Benefícios da abordagem consensual para o seu fluxo de caixa
A adoção de métodos consensuais gera resultados diretos na contabilidade.
Quando a empresa prioriza o acordo, ela ganha em previsibilidade.
Relacionamos algumas vantagens em utilizar essa estratégia:
- Redução drástica de custos: A empresa pode alcançar significativa
economia de recursos financeiros, tecnológicos e de pessoal, além de
eliminar custas processuais e taxas de cartório. - Velocidade no recebimento: O que levaria anos na justiça pode ser
resolvido em uma única ou poucas sessões de conciliação. - Preservação da imagem: Sobretudo a conciliação extrajudicial – antes de
se entrar com ação na justiça, possibilita o sigilo absoluto a todos os
envolvidos. Logo, a exposição do caso perante terceiros é zero. Além disso,
uma empresa que tem esta postura de buscar o acordo tende a estabelecer
melhor reputação no mercado. - Menor estresse emocional: A resolução de conflitos por meio do dialogo
afasta as pessoas do ambiente pesado e tenso próprio do processo judicial
litigioso, conferindo a elas uma atmosfera bem mais agradável e favorável
ao acordo.
Recuperar créditos e obter o cumprimento de contratos com agilidade e
segurança exige acima de tudo uma mudança de postura diante do conflito, onde
este passa a ser encarado não mais como um problema ou obstáculo, mas como
o vetor para a construção conjunta – acordo – de uma nova realidade